O galardão das boas obras é tê-las feito. Por isso, não pode haver melhor prêmio."
Sêneca
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Auxílio Mútuo
Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos,
ambos enfermos, cada qual a defender-se quanto possível contra os golpes do ar
gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semi-morta na estrada, ao
sabor da ventania de inverno.
Um deles fixou o singular achado e exclamou, irritadiço: Não perderei tempo!
A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente.
O outro, porém, mais piedoso, considerou: Amigo, salvemos o pequenino.
É nosso irmão em humanidade.
Não posso - disse o companheiro endurecido. Sinto-me cansado e doente.
Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade.
Precisamos chegar a aldeia próxima sem perda de minutos. E avançou para
adiante em largas passadas.
O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido,
demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito,
e aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.
A chuva gelada caiu metódica pela noite adentro, mas ele, amparando
o valioso fardo, depois de muito tempo, atingiu a hospedaria do povoado
que buscava.
Com enorme surpresa, porém, não encontrou aí o colega que havia seguido
na frente.
Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante
encontrado sem vida numa vala do caminho alagado.
Seguindo a pressa e a sós, com a idéia egoísta de preservar-se, não resistiu
a onda de frio que se fizera violenta, e tombou encharcado, sem recursos com
que pudesse fazer face ao congelamento.
Enquanto que o companheiro, recebendo em troca o suave calor da criança
que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida,
salvando-se de semelhante desastre.
Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo. Ajudando o menino abandonado,
ajudara a si mesmo.
Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços
do caminho, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.
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As mais eloqüentes e exatas testemunhas de um homem perante o Pai Supremo
são as suas próprias obras.
Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo.
O coração que amparamos constitui-se agora ou mais tarde, em recurso a nosso
favor.
Ninguém duvide!
Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que
coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum.
Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos.
Esta é a Lei Divina.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro "Jesus no Lar",
cap. Auxílio mútuo.
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