Mostrar mensagens com a etiqueta lei causa e efeito. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lei causa e efeito. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Muitas formas de CANCROS, têm sua génese no comportamento moral



Recentemente, na Califórnia, nos Estados Unidos, Hannah Powell-Auslam, uma menina de 10 anos de idade, foi diagnosticada com cancro de mama, um caso considerado, extremamente, raro (carcinoma secretório invasivo).
Os médicos fizeram uma mastectomia, mas o cancro se espalhou para um nódulo e Hannah terá que passar por outra cirurgia, ou por tratamento de radioterapia.

Outro caso instigante é o das duas gémeas idênticas britânicas, diagnosticadas com leucemia, com apenas duas semanas de intervalo. O drama das meninas Megan e Gracie Garwood, de 4 anos, começou em agosto de 2009. "Receber a notícia de que você tem três filhos e dois deles têm cancro é inimaginável", afirmou a mãe das meninas. "Você fica pensando o que fez para merecer isso".

Cancro, é uma palavra derivada do grego “karkinos”, a figura mitológica de um caranguejo gigante, escolhida por Hipócrates, para representar úlceras de difícil cicatrização e que, ao longo do tempo, consagrou-se como sinónimo genérico das neoplasias malignas.
Há mais de cem tipos diferentes de cancro, que variam, ao extremo, em suas causas, manifestações e prognósticos.

Diferentemente do cancro em adultos, em que se leva em conta aspectos do comportamento como fumo, alcoolismo, alimentação, sedentarismo e exposição ao sol, a medicina, ainda, não conseguiu estabelecer os verdadeiros fatores de risco do cancro pediátrico.
Os casos de Hannah Powell-Auslam, Megan e Gracie Garwood bem que podem entrar nas estatísticas brasileiras do cancro infanto-juvenil, que atinge crianças e adolescentes de um a 19 anos.

Segundo pesquisa divulgada pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e pela Sobop (Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica), o cancro é a doença que mais mata os jovens, na faixa dos cinco aos 18 anos, no Brasil.
Pesquisa indica o surgimento de, aproximadamente, 10 mil casos de câncer infanto-juvenil, a cada ano, no Brasil, a partir do biênio 2008/2009.
O agravante é que o cancro, nos adolescentes, costuma ser mais agressivo do que nos adultos, e é mais difícil de ser diagnosticado, segundo Luiz Henrique Gebrin, Diretor do Departamento de Mastologia do Hospital Pérola Biynton, em São Paulo (SP).
Será o cancro, então, uma obra do acaso, uma “punição divina” ou um “carma” do espírito?

Hoje, à luz da Ciência médica, pode-se afirmar que o fator predominante da carcinogênese é, sem dúvida, o comportamento humano: tabagismo, abuso de álcool, maus hábitos alimentares e de higiene, obesidade e sedentarismo, os quais são responsáveis por quatro, em cada cinco casos de cancro e por 70% do total de mortes.

Os cancros por herança genética pura, ou seja, que não dependem de fatores comportamentais e ambientais, são menos de 5% do total.

A experiência corrobora, pois, que o cancro é uma enfermidade, potencialmente, “cármica”. Estamos submetidos a um mecanismo de causa e efeito que nos premia com a saúde ou corrige com a doença, de acordo com nossas ações.
A criança de hoje foi o adulto de antanho.
“O corpo físico reflete o corpo espiritual que, por sua vez, reflete o corpo mental, detentor da forma”. (1)

“Os que se envenenaram, conforme os tóxicos de que se valeram, renascem, trazendo as afecções valvulares, os achaques do aparelho digestivo, as doenças do sangue e as disfunções endocrínicas, tanto quanto outros males de etiologia obscura;
os que incendiaram a própria carne amargam as agruras da ictiose ou do pênfigo;
os que se asfixiaram, seja no leito das águas ou nas correntes de gás, exibem os processos mórbidos das vias respiratórias, como no caso do enfisema ou dos quistos pulmonares;
os que se enforcaram carreiam consigo os dolorosos distúrbios do sistema nervoso, como sejam as neoplasias diversas e a paralisia cerebral infantil;
os que estilhaçaram o crânio ou deitaram a própria cabeça sob rodas destruidoras, experimentam desarmonias da mesma espécie, notadamente as que se relacionam com o cretinismo;
e os que se atiraram de grande altura reaparecem, portando os padecimentos da distrofia muscular progressiva ou da osteíte difusa.” (2)

“A cura para o cancro não deverá surgir nos próximos dez anos” (3) é o que afirma o articulista da Revista Time, Shannon Browlee.
Talvez os cientistas nunca encontrem uma única resposta, um único medicamento capaz de restaurar a saúde de todos os pacientes com cancro, porque um tumor não é igual ao outro.
Os espíritas sabem que não existem doenças e sim doentes.
Em verdade, "todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação.” (4)

Apesar dos consideráveis avanços tecnológicos, em busca do diagnóstico precoce e do tratamento eficaz, a Medicina e a Ciência, em geral, estão, ainda, distantes de dominarem o comportamento descontrolado das células neoplásicas.

Obviamente, não precisamos insistir na busca de vidas passadas para justificar o cancro:
As estatísticas demonstram grande incidência de cancro no pulmão, em pessoas que fumam na atual encarnação. Muitas formas de cancros têm sua gênese no comportamento moral insano atual, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças.
“O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia.” (5)
O ódio, o rancor, a mágoa, a ira são tóxicos fulminantes no oxigénio da saúde mental e física, consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação de doenças. São “agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cancros físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida” (6)

Falando sobre doença cármica, “o cancro pode, até, eliminar as sombras do passado, mas não ilumina a estrada do porvir. Isso depende de nossas ações, da maneira como arrostamos problemas e doenças.

Quando a nossa reação diante da dor não oprime aqueles que nos rodeiam, estamos nos redimindo, habilitados a um futuro luminoso.
"Quando nos rendemos ao desequilíbrio ou estabelecemos perturbações em prejuízo contra nós (...), plasmamos nos tecidos fisiopsicossomáticos determinados campos de ruptura na harmonia celular, criando predisposições mórbidas para essa ou aquela enfermidade e, consequentemente, toda a zona atingida torna-se passível de invasão microbiana.” (7)
Outra situação complicada é o aborto que “oferece funestas intercorrências para as mulheres que a ele se submetem, impelindo-as à desencarnação prematura, seja pelo cancro ou por outras moléstias de formação obscura, quando não se anulam em aflitivo processo de obsessão.” (8)

O conhecimento espírita nos auxilia a transformar a carga mental da culpa, incrustada no perispírito, e nos possibilita maior serenidade ante os desafios da doença.
Isso influenciará no sistema imunológico.
Os reflexos dos sentimentos e pensamentos negativos que alimentamos se voltam sobre nós mesmos, depois de transformados em ondas mentais, tumultuando nossas funções orgânicas.

Para todos os males e quaisquer doenças, centremos nossos pensamentos em Jesus,
pois nosso bálsamo restaurador da saúde é, e será sempre, o Cristo. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor, pois o Mestre dos mestres é o médico das nossas almas enfermas.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
jorgehessen@gmail.com


Fontes:
(1) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos , ditado pelo espírito André Luis 15ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997.
(2) Xavier Francisco Cândido. Religião dos Espíritos, Rio de Janeiro: 11ª Edição Ed. FEB - (Mensagem psicografada por em reunião pública de 03/07/1959)
(3) Transcrita em um caderno especial na Folha de São Paulo de 4 de novembro de 1999
(4) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000
(5) Franco, Divaldo. Receita de Paz, ditado pelo espírito Joanna de Angelis, Salvador: Ed. Leal, 1999
(6) FRANCO, Divaldo Pereira. O Ser Consciente, Bahia, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1993
(7) Artigo "Uma Visão Integral do Homem", Grupo Espírita Socorrista Eurípides Barsanulfo, disponível no site http://www.geocities.com/Athens/9319/chacras.htm, acessado em 25/04/2006
(8) Xavier Francisco Cândido e Vieira Waldo. Leis de Amor, São Paulo: Edição FEESP, 1981
---------------------------------------------------------------------------------

TRAGÉDIA COLETIVA NO RIO DE JANEIRO ANTE A LEI DE CAUSA E EFEITO

Com o desequilíbrio ambiental (aquecimento global) em pleno verão, chuvas violentas são consequentes, e a tragédia das enchentes, dos desabamentos, dos desabrigados, se repetem, variando apenas o número de mortos e desaparecidos em decorrência desse fenómeno. Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, têm ocupado vasto espaço no noticiário, comovendo-nos mediante tantas vidas destruídas.
Nesses episódios, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido forte, as tintas do drama de inúmeros estragos, enquanto a população recolhe o que sobrou e chora seus mortos.

Muitos ficam em estado de extrema revolta contra tudo e todos, mas não nos esqueçamos que nos Estatutos de Deus não há espaço para injustiças, razão pela qual os flagelos destruidores ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa.
A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo grau de aperfeiçoamento.


A Lei de causa e efeito ainda é coisa obscura para a humanidade, principalmente para aquelas pessoas que vivenciam a tragédia.
Aquele que vê sua família dizimada dificilmente raciocinará;
ele simplesmente não compreenderá os motivos para isso, porque não consegue ver que causas poderiam levar a tamanha perda e na forma como ocorre.
É um momento de desespero, em que a visão se turva e não se é capaz de pensar em outra coisa que não seja a “injustiça”, embora que no plano espiritual o processo esteja ocorrendo de outra forma, com a harmonia da Lei Maior.

Nesses tristes fatos é comum emergir a indagação clássica:

Qual a finalidade desses acidentes, que causam a morte conjunta de várias pessoas?

Como a Justiça Divina pode ser percebida nessas situações?

Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas indefesas?

Os Espíritos elucidam a questão afirmando que
"as expiações e/ou as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do homem, desde que sejam aceitas por amor a Deus".(1)

Encarando, porém, a vida sem a compreensão das leis da consciência e do processo da reencarnação, não poderemos explicar a Justiça de Deus – principalmente nos casos brutais de mortes coletivas.

Nos casos tão dramáticos ocorridos nas serras “cariocas”, encontraremos uma justificativa plausível para os respectivos acontecimentos, se analisarmos atentamente as explicações que só a Doutrina Espírita nos fornece, para confirmar que, até mesmo nessas tragédias, a Lei de Justiça se faz presente, pois, como nos afirma Allan Kardec, não há efeito sem que haja uma causa que o justifique.

Todos os que pereceram nessas circunstâncias carregavam na alma motivos para se ajustarem com a Lei Divina, a fim de amortizar seus débitos com a indefectível e transcendente Justiça, encontrando aí a oportunidade sublime do resgate libertador.
“Salvo exceção, pode-se admitir, como regra geral, que todos aqueles que têm um compromisso em comum, reunidos numa existência, já viveram juntos para trabalharem pelo mesmo resultado, e se acharão reunidos ainda no futuro, até que tenham alcançado o objetivo, quer dizer, expiado o passado, ou cumprido a missão aceita.”.(2)

Naturalmente a Lei é para todos nós.
Emmanuel lembra que “quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.
E antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até porque dependem de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida.

Conforme ensinou Pedro, “o Amor cobre uma multidão de pecados”(3), portanto, podemos resgatar, através da prática do Bem, o equívoco praticado em outras instâncias.

De fato! Engendramos a culpa e nós mesmos movemos os processos destinados a extinguir-lhe as consequências.
E Deus se vale dos nossos esforços e compromissos de resgate e reajuste a fim de direcionar-nos a estudos e progressos invariavelmente mais amplos no que tange à nossa segurança psíquica.
É por essa razão que, de todas as tragédias humanas, nos retiramos com mais experiência e mais luz na mente e no coração, para defender-nos e valorizar a vida.

A situação no Rio é comovedora, como sinistro foi o terremoto no Haiti, o tsunami na Ásia.

Ainda aqui, Emmanuel esclarece: “lamentemos sem desespero quantos se fizeram vítimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles é a nossa dor. Os problemas com que se defrontaram são igualmente nossos. Não nos esqueçamos, porém, de que nunca estamos sem a presença de Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento é invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nós, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor.”(4)

Inobstante, para o encarnado comum esse argumento emmanuelino não fazer muito sentido.

Diante de tantos e lúcidos esclarecimentos dos Benfeitores, não mais podemos ter quaisquer dúvidas de que a Justiça Divina exerce sua ação, exatamente com todos aqueles que, em algum momento, contrariaram a harmonia da Lei de Amor e Caridade, e por isso mesmo, cedo ou tarde, defrontar-nos-emos inexoravelmente com a Lei de Causa e Efeito, ou, se preferirmos, com a máxima proferida pela sabedoria popular:

“A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.

Jorge Hessen
SITE:
http://jorgehessen.net

Referências:

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989
(2) Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed Feb, 1993, Segunda Parte, pág. 215, no Capítulo:

Questões e problemas
(3) I Pedro, 4:8
(4) Xavier, Chico. Mensagem ditada pelo Espírito Emmanuel, reunião pública,

na noite de 28 de fevereiro de 1972, em Uberaba, Minas Gerais

<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<

sábado, 5 de julho de 2008

A obrigação de cumprir leis

Não existe lei ou ordenação para mim. ó amigo! Assim sendo, como posso dizer que a vitória ou a derrota me afetam? Eu sou, por natureza, a Liberdade Eterna além de todos os males.
(Avadhut Gita – capítulo 4 – versículo 14).

Paulo nos disse que é a lei que cria o pecado, o "errado", a derrota. Ao falar desse jeito, ele também disse que ela cria o "certo", a forma como as coisas devem ser feitas.

Ainda sobre leis, encontramos agora um mestre do monismo que nos fala que o espírito que se reconhece como ser universal não deve se subordinar às leis sejam elas planetárias, nacionais, locais ou pessoais.

Juntando as duas informações compreendemos o final deste ensinamento: "como posso dizer que a vitória ou a derrota me afetam?" Este ensinamento é Real, pois quem não se subordina a nenhuma lei não ganha nada (nunca está "certo"), mas também não perde (nunca está "errado"). Além disso, não vaga pelo mundo como um ser humano, pois está sempre presente conscientemente nele mesmo como elemento universal e em Deus.

É exatamente por isso que o mestre pode dizer que ele é, por natureza, a Liberdade Eterna, que está além de todos os males. Ele é livre dos códigos que geram o benefício e a derrota, pois já tem tudo o que qualquer ser do Universo pode ter: a consciência sobre o seu "eu" espiritual e a presença de Deus ao seu lado...

As leis universais

Vamos falar primeiro das regras de conduta cósmicas e morais espirituais. Depois falo das leis da matéria...

Qual o objetivo da existência de um espírito? Elevar-se. Para isso precisa "limpar-se" da sua sujeira (desacreditar nas ilusões criadas pelo ego) e retornar à consciência da unidade com Deus.

Realmente, a primeira vista e baseado nos ensinamentos religiosos disponíveis no orbe planetário, poderíamos dizer que buscar a elevação espiritual é uma lei universal, ou seja, todo espírito deve fazê-la. Mas, será que esta lei é universal, ou seja, será que ela existe na Realidade. Vejamos...

Como está ensinado em "O Livro dos Espíritos" buscar a elevação espiritual não pode ser considerada uma lei, pois Deus concede ao espírito o livre arbítrio de realizar ou não a sua reforma íntima. O progresso espiritual é uma conquista realizada por decisão de foro íntimo e não uma obrigação imposta pelo Senhor do Universo.

Se o espírito quiser viver preso à ilusão do maya – não vou falar eternamente, pois nada é para sempre – mas por muito "tempo", Deus não agirá contra. Na verdade Ele não pode interferir na decisão que o espírito toma. O máximo que pode fazer é "organizar a casa" (gerar pela Causa Primária as devidas ações carmáticas) para que o equilíbrio universal não se afete por causa disso.

Portanto, não se pode dizer que a elevação espiritual seja uma lei universal, tendo em vista que qualquer dispositivo legal tem por finalidade precípua gerar a obrigação de que algo seja feito e outras coisas não sejam mais realizadas.

Vamos pensar, então, em outra lei para vermos se somos obrigados a cumpri-la? Para facilitar nosso trabalho, lembremo-nos que Cristo resumiu todas as leis universais em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Por isso, analisemos se a este código devemos subordinação.

Não importa qual seja a lei, a resposta para nossa análise estará sempre no conhecimento do livre arbítrio. O que é o livre arbítrio? Uma livre opção de fazer ou não alguma coisa; o direito de optar pelo que se quer fazer.

Quem nos concede esta livre opção? Deus. Sendo assim, posso dizer que Deus lhe deu o direito de fazer o que quiser, inclusive de não amar...

Sim, Deus lhe deu o direito de não amar. Se você não quiser, não é obrigado a amar o próximo: isso só acontecerá se for fruto de uma livre escolha. Se você não quiser, não é obrigado a amar a Deus sobre todas as coisas. Para colocar em prática este ensinamento terá que fazer uma opção.

Sendo assim, o que Cristo ensinou não pode ser considerado como uma lei à qual o ser humanizado é obrigado a se subordinar. Isso acontece porque toda lei, para poder ser considerada como tal, gera obrigações.

Para que um texto tenha um cunho legal é preciso que ele obrigue a que determinada coisa seja feita. Um código de lei não pode ser escrito da seguinte forma: "se você quiser faça assim..." Ele precisa dizer o que deve e pode ou não deve e não pode ser feito. Ou seja, ele precisa ser taxativo: "faça isso"; "não faça aquilo".

Portanto, se até o ensinamento que resume todas as leis (o de Cristo que manda amar a tudo e a todos) não pode ser interpretado como um código legal, que lei existe no Universo que precisa ser cumprida obrigatoriamente? Nenhuma...

Saiba: no Universo não existem leis às quais você precise se subordinar. O que existe são apenas caminhos sugeridos por Deus através de mestres para aqueles que, de posse do seu livre arbítrio, optarem por seguí-los. Os ensinamentos dos mestres não geram leis que precisem ser seguidas obrigatoriamente, mas expõe caminhos para que o ser universal opte por um por outro.

Opa... Ia me esquecendo... Existe uma lei universal sim: a lei do carma ou o código normativo que diz que cada um recebe de acordo com as suas obras, de acordo com a ação do seu livre arbítrio... Mas, nem mesmo este, não podemos chamar de lei.

O que é conhecido no planeta Terra como "lei do carma", na verdade não pode ser considerado gerador de uma obrigação – a obrigação de dar a quem fez o resultado do que ele fez. Isso porque o efeito gerado por uma causa não surge de uma obrigação, mas trata-se de uma conseqüência natural da Justiça Suprema e do Amor Sublime de Deus.

O Pai não aplica a conseqüência a uma causa porque é obrigado a isso, mas sim porque tem a consciência Justa. Além do mais, Ele não faz para penalizar a quem quer que seja, mas sim para proporcionar uma nova oportunidade para o espírito, utilizando-se do seu livre arbítrio, realizar a reforma íntima e assim alcançar a elevação espiritual.

Sendo assim, a famosa "lei do carma" não é uma lei, pois não gera obrigações a Deus. O Pai não gera a ação carmática por obrigação, mas sim por conta de sua Justiça e Amor. Aliás, seria muito engraçado pensarmos que Deus, que tem todas as suas propriedades elevadas ao expoente máximo e portanto, é a própria Lei, se subordinasse a alguma coisa...

Portanto, nem aquilo que é conhecido pelos terrestres como lei suprema o é, pois se trata de uma ação que surge espontaneamente da consciência de Deus e não gerada por subordinação a obrigações legais..

Não me lembro de nenhuma outra lei no Universo. Nos exemplos que usamos acima contemplamos aquilo que é chamado de lei do amor, de lei do trabalho, de lei da adoração, do carma... Que mais existe que pode ser reconhecido como um código impositivo? Se lembrar me diga, pois não lembro...

Resumindo então, digo que não há leis no Universo às quais obrigatoriamente você deve se subordinar. Não existem imposições.

Eu sou a Liberdade Total: o espírito é completamente livre de todas as amarras, de todas as leis.

A liberdade do ser universal é tamanha que, mesmo que temporariamente iludido pelo ego, ele ainda é livre para se aprisionar ou não ao criador de ilusões. Repare bem o que eu disse: a liberdade do espírito é tão grande que ele é livre para se aprisionar às ilusões ou não. Deus deixa isso para a decisão do livre arbítrio de cada um.

Todo ser universal possui caminhos que podem ser seguidos ou não. O que quero deixar bem claro é que estes caminhos não precisam ser obrigatoriamente seguidos.

Há muitas moradas na casa do meu Pai: já disse Cristo. Portanto veja: você não é obrigado a seguir nenhum determinado caminho, uma lei. Se seguí-lo será por opção e não por obrigação.

Vimos, então, a subordinação no tocante às leis morais e de comportamento. Ampliando à resposta, falo agora na lei das coisas materiais.

Para a humanidade, o que regula o funcionamento das coisas materiais são as leis científicas. Para isso existem as leis da física, que determinam algumas coisas, as da biologia, que determinam outras e as da química, que determinam coisas diferentes. Mas, o que são os elementos físicos, químicos ou biológicos senão composições de fluído cósmico universal?

Se pensarmos dessa forma – que todos os elementos conhecidos são derivações de combinações do fluído primário, como diz "O Livro dos Espíritos" – podemos dizer que existe apenas uma lei universal para reger os elementos materiais: a que rege o fluído cósmico universal. Esta lei rege o funcionamento da única coisa que é Real e, portanto, não precisa haver diversas leis que criam obrigações para os elementos materiais.

Se isso é verdade, temos, por fim, uma lei universal: a que rege a atividade dos princípios universais. Mas, que lei é essa? A que Deus criar. Como ensinado na pergunta sete de O Livro dos Espíritos, a propriedade íntima de cada coisa é determinada pelo "faça-se" de Deus. É deste "faça-se" que exprime a vontade do Senhor que surgem as diferentes propriedades que o fluído cósmico universal possui ao constituir essa ou aquela matéria.

O fluído cósmico universal é de uma amplitude tão grande, tão gigante, ao combinar-se para formar todas as coisas conhecidas pela humanidade, que se nós nos apegarmos a qualquer lei estaremos abandonando uma parte da realidade. Sendo assim, pergunto: quem se atreve a dizer que tal ou tal propriedade é eterna, sempre estará presente?

É não existe lei alguma... Nem a lei que vocês chamam de científica da matéria existe. Elas na verdade são apenas pequenos pedaços das propriedades – não leis – do elemento primário universal que são conhecidos pela humanidade.

Compreendeu a questão da lei? Mas, eu poderia ter lhe respondido de uma forma mais simples...

Poderia ter lhe dito que toda lei conhecida por vocês é fruto de uma ação racional, portanto gerada pelo ego. Sendo assim, se tratam de ilusões que precisam passar pelo processo de reforma para se alcançar a elevação espiritual...

As leis humanas são instrumentos para que o ser humano crie para o espírito a ilusão que servirá de carma a este. Concordo que as leis humanas, inclusive as religiosas são instrumentos carmáticos, mas pergunto: o que, para você é essa ação carmática? O que está sendo vivenciado em realidade naquele momento em que o ser humano se defronta com uma lei?

O que está acontecendo em um determinado momento? A formação mental (pensamento) que gera a obrigação de se cumprir à lei. Isso é o que você está vivenciando quando o ego cria formações mentais que contenham códigos normativos.

Portanto, as leis são instrumentos carmáticos que Deus coloca nesse sentido: para ver se o espírito vai amar mais a Deus, ou seja, vai vivenciar a formação mental de uma forma amorosa (sem obrigações) ou apegar-se-á ao ter que cumprir ou não a lei.

Essa é a ação carmática. Para que ela aconteça é necessário que haja a lei, que é um instrumento carmático para esta ação.

Como Deus é o Senhor dos carmas, posso dizer, então, que as leis são emanações Dele. Mas, não com a intenção de criar uma obrigação a qualquer um, mas como instrumento para uma ação carmática que cria uma oportunidade de elevação espiritual.

A partir daí o espírito tem, então, a oportunidade de exercer o livre arbítrio: se prender a uma obrigação – com isso vivenciará o acontecimento com a consciência de que lei é para ser cumprida – ou se recolher à sua espiritualidade e assistir ao seu personagem cumprir ou não a lei.

É nesse sentido que os códigos de norma funcionam como instrumentos das acções carmáticas.

-------------------------------------------------------------------------------